Última alteração: 2018-09-03
Resumo
Introdução: As funções executivas são habilidades desenvolvidas em várias áreas cerebrais, uma auxiliando no funcionamento da outra por meio de vias de conexões neuronais. Os pacientes que fazem uso de substâncias psicoativas (SPA) podem apresentar prejuÃzos executivos, desenvolvendo alterações no comportamento, no funcionamento emocional e de personalidade (Diehl, Cordeiro, & Laranjeira, 2011). Ressalta-se que a sintomatologia é singular de acordo com substância, organismo e quantidade (da Silva, Manrique, & Santos, 2017; American Psychiatric Association [APA], 2014). Objetivo: Investigar as funções executivas de pacientes com Transtornos Relacionados a Substâncias (TRS) em um hospital psiquiátrico do estado do Rio Grande do Sul. Método: Trata-se de um estudo transversal, exploratório e de cunho quantitativo. Os participantes foram 33 adultos com idade mÃnima de 20 anos e máxima de 58 anos, sendo 25 homens e 08 mulheres. Os instrumentos utilizados foram: Fluência Verbal Semântica (FVS) e Fluência Verbal Fonêmica (FVF). Análise de dados: Foi utilizado o pacote estatÃstico Statistical Package for the Social Sciences (SPSS, versão 23) para Windows. Foram realizadas análises descritivas de média, desvio-padrão e frequência. O cálculo para a classificação do desempenho como “adequado†ou como “deficitário†foi realizado por meio do Escore Z. Procedimentos éticos: O presente estudo fez parte do projeto guarda-chuva “Perfil neuropsicológico e de caracterÃsticas de personalidade em transtornos relacionados ao uso de substâncias e transtornos de personalidade†aprovado pelo Comitê de Ética da Faculdade Meridional IMED, Campus de Passo Fundo, sob o CAAE: 61569416.1.0000.5319. Resultados: Os participantes do estudo nos instrumentos de tarefas de fluência verbal tiveram resultados deficitários. Na tarefa de fluência verbal fonêmica 66,7% apresentaram o desempenho comprometido e na tarefa de fluência verbal semântica 15,2%, apresentaram o desempenho abaixo do esperado para a sua idade.  Discussão: Observou-se dados semelhantes na pesquisa de Cunha, Nicastri, Gomes, Moino e Peluso (2004), reforçando prejuÃzos na expressão verbal de indivÃduos com TRS. A hipótese central para explicar este achado é de que o uso de substâncias consiste em uma variável preditiva para os déficits em funções executivas apresentados pelos participantes (Freitas et al,. 2016; Sá, 2017; Vergara-Moragues et al., 2017).
Palavras-chave
Referências
American Psychiatric Association. (2014). Manual Diagnóstico e estatÃstico de transtornos mentais (5a ed.). Porto Alegre, RS: Artmed.
Cunha, J. C., Nicastri, S., Gomes, L. P., Moino, R. M., & Peluso, M. A. (2004). Alterações neuropsicológicas em dependentes de cocaÃna/crack internados: dados preliminares. Revista Brasileira de Psiquiatria, 26(2), 103-6. doi:10.1590/S1516 44462004000200007
da Silva, N. M. F., Manrique, L. G., & Santos, R. M. G. (2017). Transtornos Mentais Relacionados a Substâncias QuÃmicas. Revista de Estudos JurÃdicos, 1(27), 218-232. Recuperado de http://www.actiorevista.com.br/index.php/actiorevista/issue/view/6
Diehl, A., Cordeiro, D. C., Laranjeira, R. (2011). Depêndencia QuÃmica: Prevenção, tratamento e polÃticas públicas (1a ed.). Porto Alegre, RS: Artemed.
Freitas, E. R., Joaquim, R. M., Tabaquim, M. D. L. M., & Camargo, A. P. (2016). Avaliação neuropsicológica das funções executivas de mulheres em estado de dependência quÃmica. Archives of health investigation, 5(1), 14-24. doi:10.21270/archi.v5i1.1296
Sá, T. N. de. S. (2017). Avaliação das funções executivas em adictos internados nas comunidades terapêuticas do municÃpio de Porto Velho – RO (Dissertação de Mestrado, Universidade Federal de Rondônia, Porto Velho, Brasil). Recuperado de http://www.ri.unir.br/jspui/handle/123456789/1605
Vergara-Moragues, E., Verdejo-GarcÃa, A., Lozano, O. M., Santiago-Ramajo, S., González-Saiz, F., Espinosa, P. B., & GarcÃa, M. P. (2017). Association between executive function and outcome measure of treatment in therapeutic community among cocaine dependent individuals. Journal of Substance Abuse Treatment, 78, 48-55. doi: 10.1016/j.jsat.2017.04.014