Última alteração: 2021-11-08
Resumo
CLUSTER: [Health tech]
CURSO: [Psicologia IMED Passo Fundo]
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SINTOMAS DEPRESSIVOS, DE ANSIEDADE E DE ESTRESSE EM USUÃRIOS DE SUBSTÂNCIAS PSICOATIVAS DE UMA COMUNIDADE TERAPÊUTICA
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André ReginatoVieira1; Luiz Henrique Toledo2; Caroline Lunkes Costa3; Marcia Fortes Wagner4
1 Auxiliar de Pesquisa Bolsista PIC IMED. Acadêmico do Curso de Psicologia integrante do GEPRIECC, PPGP IMED Passo Fundo. [email protected]
2 Mestrando em Psicologia. Integrante do GEPRIECC, PPGP IMED Passo Fundo. [email protected]
3 Mestranda em Psicologia. Integrante do GEPRIECC. PPGP IMED Passo Fundo. [email protected]
4 Orientadora. Doutora em Psicologia, Docente do PPGP, Coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisas Relações Interpessoais, Emoção, Comportamento e Cognição (GEPRIECC), IMED Passo Fundo. [email protected]
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1 INTRODUÇÃO
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O Transtorno por Uso de Substâncias é um transtorno neuropsiquiátrico que acomete parte dos indivÃduos que usam substâncias (American Psychiatric Association [APA], 2014). O III Levantamento Nacional sobre o uso de Drogas pela População Brasileira aponta que os homens apresentam-se como o grupo majoritário no consumo de álcool, tabaco e substâncias ilÃcitas (Bastos et al., 2017), ao encontro dos achados do Manual diagnóstico e EstatÃstico de Transtornos Mentais, DSM-5 (APA, 2014).
É comum a presença de comorbidades em indivÃduos usuários de substâncias (Diehl & Souza, 2018), entre elas os transtornos depressivo e de ansiedade (National Institute on Drug Abuse [NIDA], 2020; APA, 2014). Algumas investigações confirmam
essa associação entre o uso de substâncias e os sintomas depressivos, de ansiedade e de estresse (Andretta, Limberger, Schneider & Mello, 2018; Argimon et al., 2013).
Nesse contexto, um quadro depressivo pode ser caracterizado pela presença de um humor deprimido e/ou diminuição de interesse em atividades na maior parte do dia por um perÃodo recorrente, alterações no sono, sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva, entre outros sintomas que podem vir a ocorrer (APA, 2014). Na ansiedade, prevalece um estado de apreensão que traz manifestações de sintomas cognitivos, comportamentais, emocionais e fÃsicos (Clark & Beck, 2015). Já o estresse ocorre perante um agente estressor que também provoca alterações fisiológicas, comportamentais e cognitivas no indivÃduo (Leahy, Tirch & Napolitano, 2013).
O presente estudo teve como objetivo investigar a presença de sintomas depressivos, de ansiedade e de estresse em indivÃduos com Transtorno por Uso de Substâncias (TUS) internados em comunidade terapêutica.
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2 METODOLOGIA
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Estudo descritivo, quantitativo, de cunho transversal, com amostra de 53 homens, maiores de 18 anos, com idade média 33,70 anos (D=9,65). Foram utilizados uma Ficha de Dados Sociodemográficos, elaborada para esse estudo, e a Depression Anxiety Stress Scale-21 /DASS-21 (Vignola & Tucci, 2014), instrumento de 21 itens que permitem avaliar os três estados emocionais concomitantemente, nas subescalas ansiedade, depressão e estresse. Sete itens medem a ansiedade, sete a depressão e sete o estresse. Possui uma escala do tipo Likert de quatro pontos: 1 (não se aplicou nada a mim); 2 (aplicou-se a mim algumas vezes); 3 (aplicou-se a mim muitas vezes); e 4 (aplicou-se a mim a maior parte das vezes). Os valores do alfa de Cronbach foram de α=0,90 para a depressão, α= 0,86 para a ansiedade, α=0,88 para o estresse e α=0,95 para o total das três sub escalas.
As entrevistas ocorreram de forma individual em uma sala da instituição, com duração de 20 a 30 minutos. Após a coleta de dados, as informações foram organizadas no Banco de Dados Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) versão 25.0. O estudo obteve aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da IMED, sob CAAE 73085617.1.0000.5319 e respeitou as Resoluções nº 466/2012 e nº 510/2016, do Conselho Nacional de Saúde, que regulamentam as pesquisas envolvendo seres humanos.
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3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
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O estudo foi realizado somente com população do sexo masculino. Tal questão pode ser justificada pelo fato da literatura afirmar a prevalência do uso de substâncias pelos homens (APA., 2014; Bastos et al., 2017).
Os resultados mostraram que 58,5% (n=31) possuÃa estado civil solteiro, 81,1% (n=43) trabalhavam antes da internação e 83,0% (n=44) não estudavam. Quanto à escolaridade, 26,4% (n=14) possuÃam o ensino fundamental incompleto, 15,1% (n=8) ensino superior incompleto, 13,2% (n= 7) ensino fundamental completo, 13,2% (n=7) ensino médio incompleto, 11,3% (n=6) ensino superior completo, 9,4% (n=5) ensino médio completo, 5,7% (n=3) Pós-graduação e 5,7% (n=3) Ensino Técnico.
Em relação aos sintomas psicopatológicos, embora a maior parte da amostra (67,9%, n= 36) não apresentou sintomas depressivos, 20,8% (n=11) apontaram nÃveis leves e 11,3% (n=6) moderados. Quanto à presença de sintomas de ansiedade, 69,8% (n=37) não apresentou sintomatologia, enquanto 11,3% (n=6) sintomas leves, 13,2% (n=7) moderados e 5,7% (n=3) severos. Já no estresse, 86,8% (n=46) sem sintomas, enquanto 9,4% (n=5) em nÃveis leves e 3,8% (n=2) moderados.
Nesse sentido, embora com baixos Ãndices, foram encontrados sintomas depressivos, de ansiedade e de estresse; com destaque para a ansiedade, que apontou maior intensidade de sintomas, entre os graus moderados e severos. Tais achados
corroboram a literatura que afirma existir relação entre o uso de substâncias psicoativas e a presença de comorbidades, entre as quais podem ser encontrados quadros depressivos e de ansiedade (Argimon et al., 2013; APA, 2014; Andretta, Limberger, Schneider & Mello, 2018; Diehl & Souza, 2018; NIDA, 2020).
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4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
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Conclui-se que realizar investigações acerca do uso de substâncias psicoativas e a presença de sintomas psicopatológicos pode ser relevante para maior compreensão e oferecimento de um tratamento adequado aos indivÃduos com esse quadro clÃnico. Uma limitação do estudo foi a coleta em uma única região do paÃs; sugerem-se pesquisas com maior tamanho amostral, de outras regiões e comparativas com a população geral. Assim, pode-se elaborar novos modelos de tratamento eficazes, aperfeiçoando os já existentes.
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Agradecimentos
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O presente trabalho foi realizado com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (FAPERGS), contemplado no edital 05/2019 do Programa Pesquisador Gaúcho (PQG) e do Programa de Iniciação CientÃfica da IMED.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÃFICAS
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American Psychiatric Association [APA]. (2014). Manual diagnóstico e EstatÃstico de Transtornos Mentais: DSM-5. Porto Alegre, RS: Artmed.
Andretta, I., Limberger, J., Schneider, J. A., & Mello, L. T. N. D. (2018). Sintomas de depressão, ansiedade e estresse em usuários de drogas em tratamento em comunidades terapêuticas. Psico-USF, 23(2), 361-373. doi.org/10.1590/1413-82712018230214.
Bastos, F. I. P. M., Vasconcellos, M. T. L. D., De Boni, R. B., Reis, N. B. D., & Coutinho, C. F. D. S. (2017). III levantamento nacional sobre o uso de drogas pela população brasileira. Rio de Janeiro: Fiocruz/ICICT, 2017. Retirado de: https://www.arca.fiocruz.br/bitstream/icict/34614/1/III%20LNUD_PORTUGU%c3%8aS.pdf
Clark, D. A. & Beck, A. T. (2015). Vencendo a ansiedade e a preocupação com a terapia cognitivo-comportamental – Tratamentos que funcionam: Manual do paciente. Porto Alegre, RS: Artmed.
Diehl, A. & Souza, P. M. (2018). Principais comorbidades associadas ao transtorno por uso de substâncias. In N. A. Zanelatto, & R. Laranjeira (Org), O Tratamento da dependência quÃmica e as terapias cognitivo-comportamentais. (pp. 54-70). Porto Alegre, RS: Artmed.
Leahy, R. L., Tirch, D., & Napolitano, L. A. (2013). Regulação emocional em psicoterapia: um guia para o terapeuta cognitivo-comportamental. Porto Alegre, RS: Artmed.
National Institute on Drug Abuse [NIDA]. (2020). Common Comorbidities with Substance Use Disorders Research Report. DisponÃvel em: https://www.drugabuse.gov/download/1155/common-comorbidities-substance-use-disorders-research-report.pdf?v=6344cb285ff0a098afa0909927de4512.
Vignola, R. C. B., & Tucci, A. M. (2014). Adaptation and validation of the depression, anxiety and stress scale (DASS) to Brazilian Portuguese. Journal of Affective Disorders, 155, 104-109. DisponÃvel em: http://repositorio.unifesp.br/handle/11600/37373.